XII SAT promove debate sobre atitudes sustentáveis

XII SAT promove debate sobre atitudes sustentáveis

O XII Seminário de Atualização Tecnológica (SAT), promovido pela Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip-MG), no último dia 23 de setembro, no Auditório do Crea-MG, inovou ao trazer, além das palestras técnicas, a reflexão sobre o futuro da vida em nosso planeta. Com o tema “Atitudes Sustentáveis”, o evento reuniu gestores públicos, pesquisadores, representantes de diversas entidades, especialistas e demais profissionais da área de engenharia e arquitetura com o objetivo de apresentar as inovações tecnológicas, as novas práticas e as soluções em sistemas prediais que podem contribuir para elevar a qualidade dos projetos, racionalizar o uso dos recursos e promover o consumo sustentável.

Durante a solenidade de abertura, o presidente da Abrasip-MG, o engenheiro Breno Assis lembrou da importância do tema frente à urgência de implementação de práticas sustentáveis no mercado da construção civil. “Temos que estar conscientes do nosso papel nesse novo paradigma social, uma vez que nossas atividades impactam diretamente no modo de vida dos indivíduos”, afirmou. Compondo a mesa que abriu do evento, o vice-presidente da FIEMG e presidente da Câmara da Indústria da Construção (CIC/FIEMG), Teodomiro Diniz Camargos reforçou que o setor vem passando por um período de transição, em que é cada vez mais forte a necessidade de se produzir mais e melhor e que o diálogo é forte aliado neste sentido. “O pais é continental e, por isso, temos que trabalhar em rede, criando canais de comunicação para facilitar que a informação técnica chegue ao associado. Da mesma forma, o associado deve contribuir levando os conhecimentos e experiências da ponta para as entidades. Esse trabalho em rede é fundamental no campo da sustentabilidade, pois, traz novas perspectivas para o avanço de novas práticas sustentáveis na construção civil”, declarou Camargos.

A palestra de abertura, “O que é sustentabilidade?”, ficou a cargo do economista, ex-presidente do IBGE, ex-diretor do BNDES e professor de economia brasileira na PUC-Rio, Sérgio Besserman Vianna. Segundo ele, para que se alcance um modelo de desenvolvimento sustentável, é preciso que a humanidade se volte para soluções nunca antes criadas e repense a forma como se relaciona com o planeta e com os outros, pois, as tecnologias existentes hoje são insuficientes para a preservação da espécie humana. “Em primeiro lugar, para combater as mudanças climáticas nós não poderemos ser tribais, vamos ter que ser globais. Nós vamos precisar da combinação certa entre as empresas, a vida pública e a pressão da sociedade. Teremos que adotar uma política global atrelada a políticas nacionais, regionais, estaduais, etc. Chegou a hora de pagar a conta e nós vamos ter que calcular o custo da degradação do meio ambiente”.

Em uma exposição acerca da situação hídrica do estado, o advogado especializado nas áreas de meio ambiente e recursos hídricos, diretor de Gestão das Águas e Apoio aos Comitês de Bacia do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais, Breno Esteves Lasmar, falou sobre a disponibilidade de água nas bacias hidrográficas de Minas Gerais. De acordo com o especialista, o IGAM tem trabalhado conjuntamente com conselhos e outras instâncias de governo, pensando em formas de promover estímulos para certificação e de padrões mais eficientes de determinados usos. “No caso específico da água, temos trabalhado com a definição de padrões reconhecidamente eficientes e também com estímulo à produção e à modernização do processo produtivo, de forma que o setor empresarial sinta que o investimento na mudança de paradigma e de comportamento possa significar um retorno real para ele”, ressaltou o advogado.

O Gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo horizonte, coordenador do Programa de Certificação em Sustentabilidade Ambiental de Belo Horizonte e membro do Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência, engenheiro Weber Coutinho, falou sobre “Certificação em Sustentabilidade Ambiental de Empreendimentos e os Sistemas Prediais Eficientes”. Coutinho apresentou os requisitos básicos para o Programa de Certificação em Sustentabilidade Ambiental de empreendimentos públicos e privados no município de Belo Horizonte, que tem como objetivo incentivar a redução dos consumos de água e de energia, e a reciclagem dos resíduos sólidos, ilustrando com estudos de casos de edificações certificadas.

Iniciando a segunda rodada de palestras, com caráter mais técnico, o vice-presidente do CAU/MG, o arquiteto especialista em sistemas tecnológicos e sustentabilidade Júlio de Marco, discorreu sobre os novos desafios a serem enfrentados pelos arquitetos e urbanistas frente ao cumprimento da Norma de Desempenho da ABNT, a NBR 15.575:2013. De acordo com o arquiteto, a questão da sustentabilidade foi colocada enquanto um preceito legal na Constituição de 1988, ao se instituir a função social da cidade e da propriedade urbana. “Neste sentido, a ABNT NBR 15.575:2013 confere a obrigatoriedade de práticas construtivas mais sustentáveis, pois, é mais vantajoso garantir que serviços e obras de edificações prediais apresentem conformidade a fim de se evitar retrabalhos e suas consequentes perdas econômicas, sociais e ambientais”, afirmou.

A energia limpa – aquela que não libera ou libera níveis muito baixos de resíduos ou gases poluentes geradores do efeito estufa e do aquecimento global durante seu processo de produção ou consumo – foi tratada na palestra do diretor da Emap Solar, o engenheiro civil Evandro Pinho Lara, responsável por desenvolver projetos na área de energias renováveis para obras de grande porte, destacando-se a montagem das estruturas e módulos fotovoltaicos do Mineirão e mais de 200 kWp de instalações em micro e mini geração em mais de 40 municípios de Minas Gerais.

Após falar dos aspectos técnicos e demonstrar casos dos diversos tipos de sistemas geradores de energia limpa existentes e economicamente viáveis, Evandro Lara valou sobre as oportunidades no mercado mundial. De acordo com o profissional, entre os sistemas que vêm apresentando melhor disseminação no Brasil está a energia solar fotovoltaica, devido às condições climatológicas e geográficas do país. “Estima-se que o equivalente a todo o consumo de energia elétrica de 2011 poderia ser gerado com 2.400 km² de painéis fotovoltaicos, o que corresponde a menos de 0,03% do território nacional”, afirmou.

Após falar dos aspectos técnicos e demonstrar casos dos diversos tipos de sistemas geradores de energia limpa existentes e economicamente viáveis, Evandro Lara valou sobre as oportunidades no mercado mundial. De acordo com o profissional, entre os sistemas que vêm apresentando melhor disseminação no Brasil está a energia solar fotovoltaica, devido às condições climatológicas e geográficas do país. “Estima-se que o equivalente a todo o consumo de energia elétrica de 2011 poderia ser gerado com 2.400 km² de painéis fotovoltaicos, o que corresponde a menos de 0,03% do território nacional”, afirmou.

Fechando a programação técnica, o uso de softwares de construção virtual para análise de construtibilidade das instalações foi o assunto abordado pelo diretor da FortBIM Engenharia, Bruno Angelim, que explicou um pouco como acontece o fluxo do trabalho no ambiente da plataforma BIM, dando exemplos de trabalhos em que já atuou. “Os softwares compatíveis com a plataforma oferecem suporte ao projeto ao longo de suas fases, permitindo melhor análise e controle quando comparado aos processos manuais”, afirmou o engenheiro, apontando nas telas da interface do programa os dados precisos que ele fornece e que são fundamentais no apoio às atividades de construção e logística, do planejamento à execução, passando pela orçamentação dos empreendimentos. Entre os ganhos apontados por Bruno Angelim estão a comunicação mais eficiente entre as partes do projeto e a transferência fluente de informações da construção, que resultam num fluxo de trabalho integrado, com a entrega eficiente e precisa do projeto.

Com o objetivo de incentivar a inovação e a reflexão sobre os novos caminhos, práticas e ideias nas empresas de engenharia de sistemas prediais, o XII SAT promoveu a palestra extra técnica do professor e palestrante motivacional Luciano Pires sobre oportunidades disfarçadas. Em sua apresentação, Luciano Pires abordou questões relativas as possibilidades que podem estar escondidas em diversas situações, às vezes bem adversas, e que se bem aproveitadas poderão significar uma mudança completa do negócio e no cotidiano das pessoas que fazem parte das organizações.

A cerimônia de encerramento do evento contou com a presença do Prefeito em Exercício e Secretário Municipal de Meio Ambiente, Délio Malheiros, que entregou o Selo BH Sustentável a dois novos empreendimentos da capital, reconhecidos como empreendimentos sustentáveis.

O Centro de Distribuição da Loja Elétrica recebeu o Selo BH Sustentável na categoria Ouro, por reduzir o consumo de energia em 80% e de água em 57,5% se comparadao a parâmetros convencionais, além de reciclar 100% dos resíduos gerados. O Edifício Parque Avenida, que está sendo construído pela Odebrecht Realizações Imobiliárias, recebeu o Laudo de Aprovação da Proposta de Construção. Esse laudo certifica que o edifício está sendo construído de forma a obter uma redução de 27% no consumo de energia, e 33% no consumo de água se comparado a parâmetros convencionais, quando estiver pronto. O projeto prevê ainda a reciclagem de 80% dos resíduos sólidos que serão gerados. Esses índices, se confirmados pela auditoria que será realizada quando a obra for concluída, garantirão ao empreendimento o Selo BH Sustentável na categoria Ouro.

Para Délio Malheiros, a sustentabilidade é um conceito que deve ser seguido por todos, e a administração pública deve estimular a prática de processos mais sustentáveis. “O selo BH Sustentável é um avanço. Ele certifica os processos construtivos que contribuem para minimizar os impactos ambientais, de acordo com índices pré-estabelecidos, em relação ao consumo de água e energia, e à geração de resíduos sólidos. É um reconhecimento do poder público a todos que se preocupam com o meio ambiente”, afirmou.

O presidente da Abrasip-MG encerrou o evento agradecendo a presença do público, dos parceiros institucionais e do prefeito em exercício: “Que bom que um gestor público tem essa visão e a iniciativa de desenvolver projetos como o Selo BH Sustentável. Em nome das empresas projetistas e entidades do setor presentes aqui hoje, gostaria de nos colocar à disposição para contribuir no que for necessário”, finalizou.

O XII SAT contou com o patrocínio da Deca, da Amanco, da Loja Elétrica LTDA, da Schneider Electric, o apoio da Itaim Iluminação e apoio institucional da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas (ABEE-MG), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MG), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), do Grupo de Empresas Mineiras de Arquitetura e Urbanismo (Gemarq), do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-MG) e do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva de Minas Gerais (Sinaenco-MG).

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